Hoje presenciei/participei de uma discussão que vale a pena virar texto aqui
Recentemente tivemos a comemoração de 15 anos da morte de Kurt Cobain, e em um tópico de fórum o evento foi lembrado e rapidamente surgiram frases como “Dane-se Nirvana, ele era um drogado!”, “Ele não servia pra nada, vivia alucinado”, e coisas assim.
Isso mostra bem o que quero escrever aqui: Será que precisamos misturar o artista com sua vida pessoal?
Ok, Kurt Cobain era um drogado, mas suas músicas eram excelentes, marcou uma década! Quase acabou com o Heavy Metal (comercialmente falando), mas pelo fato dele ser drogado e imbecil devemos ignorar a obra dele?
Se você acha que sim, então deve ignorar tudo o que os Beatles e Elvis fizeram, assim como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Led Zepellin, Black Sabbath, Aerosmith, Metallica, Caetano Veloso, Elis Regina, Queen, Zeca Pagodinho e etc…
Até que ponto devemos misturar a música com a pessoa? E daí que Elton John é homosexual? Por causa disso não vai ouvir? (pois é, já vi casos que a resposta foi positiva). Já fui zoado por gostar de Ney Matogrosso! Deve ser tipo assim: “Ele é gay, então se você escuta também é!”. (Alguém se lembra da piada do português e do aquário?)
Não estou defendendo o uso de drogas (sou extremamente contra), só quero dizer que o que o artista faz longe dos palcos pouco me importa, o cara pode ser drogado, bêbado, crsitão, satânico, liberar o briosca, ser tonto, alegre, triste, emo, pedófilo, sado-masoquista… enfim, pouco me importa! O que me importa é o som que entra dentro do meu ouvido!
O mesmo vale para outras artes. E daí que um ator é qualquer uma das coisas acima? Você deixa de assistir um filme ou acha o filme ruim só porque o Jack Nicholson é viciado em sexo ou o Tom Cruise tem aquela religião maluca que esqueci o nome?
Livros então é melhor nem citar… Pare de ler Paulo Coelho já! Ele era “carne-e-unha” do Raul Seixas…
O mesmo vale para letras ou temas. Ouvir uma música satânica não quer dizer que sou adorador do capeta. Ouvir música gospel também não significa que vou para o céu. Encare isso tudo como arte, estórias contadas.
E mais… e se o CEO de uma grande corporação fosse um “desviado” desses, você deixaria de usar seu produto? (não responda antes de ler abaixo)
Lembrei de uma história verídica e engraçada. Uma vez eu estava no Rio de Janeiro almoçando numa pizzaria com uma galera, comemoração de fim de ano, e uma mesa ao lado (com umas 20 pessoas) estava muita bagunça e tal. Estava realmente chato. Aí uma pessoa do meu grupo, que vou chamar de Mr. G, falou: “Preciso descobrir que empresa é esta da mesa do lado, assim nunca vou consumir um produto deles”. Repetiu isso por várias vezes, e quando descobriu ficou pasmo e sem fala. Era uma equipe do Inmetro.
Acho que isso resume tudo.
O mais engraçado? Conheço poucas pessoas que fazem essa separação pessoa/artista, será que estou errado?
(Não resisti, mas preciso dar o exemplo do lunático-quase-pedófilo Michael Jackson! Sua música continua show!)